sexta-feira, 23 de maio de 2008

Isopor também pode ser reciclado

Ao ouvir falar sobre os danos causados ao ambiente pelo descarte incorreto do poliestireno expandido (EPS), popularmente conhecido como isopor, muita gente até percebe que contribui com a degradação, mas não sabe como evitá-la. Afinal, o isopor está hoje associado a um número cada vez maior de hábitos de consumo: das bandejas de padarias e supermercados às embalagens de proteção e até peças da construção civil.

Segundo a Associação Brasileira do Poliestireno Expandido (Abrapex), foram produzidas 55 mil toneladas do material no Brasil em 2007 e outras 2 mil toneladas foram importadas junto a equipamentos eletrônicos e diferentes bens trazidos do exterior. Mas, ao contrário da crença espalhada no país, o EPS é totalmente reciclável e já existem algumas empresas no Brasil que o reutilizam.

O presidente da Abrapex, Albano Schmidt, conta que metade da produção nacional de isopor é usada na construção civil e fica incorporada à obra, mas o restante poderia ser transformado. "Não temos dados concretos sobre a quantidade de EPS reciclado, mas estimamos que somente 5 mil toneladas recebam o destino adequado", afirma.
s principais entraves para que o produto não acabe flutuando nos rios, entupindo bocas-de-lobo ou sobrecarregando os aterros sanitários são a falta de conscientização da população - que coloca o material no lixo comum - e as características físicas do isopor - leve e volumoso -, que dificultam seu armazenamento e transporte.

Coleta

Apesar das dificuldades, há quem já esteja trabalhando com o reaproveitamento do isopor. A cooperativa paulistana Coopervivabem começou a recolher e a vender o EPS em janeiro de 2007 e hoje funciona como um ponto de coleta para as outras cooperativas de reciclagem da cidade: ela compra o produto sujo, faz a remoção de fitas adesivas, papéis, grampos e outros materiais e o revende. "Antes o isopor não tinha finalidade nenhuma, ia parar no lixo. Agora, já tem valor comercial que torna a coleta viável", diz Elma de Oliveira Miranda, tesoureira da Coopervivabem.

O valor a que Elma se refere, no entanto, ainda é baixo se comparado com materiais mais caros, como o alumínio ou as garrafas PET. Em São Paulo, o quilo do EPS limpo é de R$ 0,40, R$ 3 a menos do que o quilo do alumínio e R$ 0.80 mais barato do que o quilo do PET.

Mesmo assim, Elma e os outros 63 cooperados animam-se com a perspectiva de complementar a renda. No primeiro mês da ação, foram recolhidos 1.523 quilos de isopor. Atualmente, a média é de 4.273 quilos por mês. "Aconselhamos a população a sempre enviar o EPS para a reciclagem. Se o ponto de coleta não tiver um recipiente próprio, é só colocar junto com os plásticos", declara.

Transformação

Depois de limpo, o isopor da Coopervivabem é encaminhado para a Pró-Eco, única recicladora totalmente dedicada ao EPS no Brasil. Há um ano e meio no mercado, a empresa desenvolveu uma tecnologia que retira o oxigênio do material, diminuindo seu volume. "Nos baseamos em uma tecnologia coreana para desenvolver uma máquina portátil, de apenas um metro quadrado, que viabiliza o transporte e o armazenamento do isopor", afirma Daniel Cardoso Fernandes, gerente de produção da empresa.

Sem oxigênio, o EPS passa a ser uma massa compacta, que depois é novamente transformada em grãos e encaminhada para a fabricação dos mais diferentes produtos, como rodapés, molduras, porta-retratos, cabides e réguas.

Fernandes explica que a Pró-Eco tem capacidade para processar 600 toneladas de isopor mensalmente, mas que até agora só conseguiu transformar 100 toneladas por mês. Os motivos para a ociosidade da indústria, segundo ele, são a pouca conscientização da população e das empresas geradoras de embalagens de EPS, além da dificuldade logística causada pelo grande volume e pouco peso do produto. "A situação precisa mudar. Nos aterros sanitários, por exemplo, o isopor funciona como um isolante, dificultando a degradação do lixo orgânico e a expulsão dos gases resultantes da decomposição", alerta.

Além do processo feito pela Pró-Eco, existem ainda outras formas de reciclagem mecânica - que reintroduz o material triturado em novas peças de EPS, especialmente em blocos para construção - e de reciclagem química, que dissolve o produto para a fabricação de colas, solventes, solados de calçados e outros.

Parcerias

Outras medidas adotadas para mudar a situação do isopor no pós-consumo são as parcerias fechadas entre a Abrapex e grandes redes varejistas para que cada uma delas funcione como ponto de recebimento do EPS levado pela população. De acordo com Schmidt, a ação ainda é tímida e apenas algumas unidades de marcas conhecidas pela população, como Wal-Mart, Magazine Luiza, Ponto Frio e Casas Bahia, já aderiram ao programa.

A associação também vem trabalhando junto a prefeituras que têm coleta seletiva, para conscientizar tanto as administrações quanto a população sobre o destino adequado do isopor.
Para saber onde deixar o EPS na sua cidade ou bairro, entre em contato com a secretaria responsável pela coleta seletiva de sua prefeitura ou com a Abrapex, pelo site www.abrapex.com.br ou pelo e-mail eps@abrapex.com.br. Na cidade de São Paulo, é possível obter informações pelo Alô Limpeza, no telefone 156.

FONTE: UOL

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